I Domingo do Advento

I Domingo do Advento

Fri, 26 Nov 21 Lectio Divina - Year C

“O tempo do Advento […] tem como tarefa preparar-nos para receber o Senhor que vem e se manifesta a nós” (Borobio, p. 174). Como já se sabe, esta manifestação tem dois aspectos: Advento escatológico e Advento natalício. E é a partir dessa realidade que o tempo do Advento é estruturado. No primeiro e segundo domingo celebra-se uma liturgia que aponta para a segunda vinda do Senhor; no terceiro e no quarto domingo prepara-se para celebrar a primeira vinda.

Neste Primeiro Domingo de Advento do Ano C, a Igreja nos convida a rezar com um trecho do Evangelho de São Lucas (21,25-28.34-36). Como já lembramos mais cedo, a liturgia da palavra do primeiro domingo está em sintonia com o aspecto do advento escatológico, ou seja, estamos rezando a segunda vinda de Jesus. E para essa segunda volta o cristão é convidado a estar de prontidão, por isso o tema da vigilância é tão caro neste início de Advento.

O evangelho de hoje diz respeito ao destino do mundo quando da vinda do Filho do Homem. Historicamente falando, autores afirmaram que a queda de Jerusalém foi anunciada por presságios celestiais. O intuído do presságio era despertar temor nos ímpios (Is 19,16; Jr 4,9). As palavras aqui (versículos 25-26) são comuns nas descrições dos fins dos tempos. Essa linguagem cósmica e cataclísmica era usada, em geral, apenas em referência ao fim ou à transformação da presente ordem mundial e ao estabelecimento do Reino de Deus.

“Lucas remota sua narrativa dos sinais cósmicos, mas agora introduz uma dimensão cristológica: Jesus, o vitorioso Filho do Homem, controla as forças do mal, seja estas forçar a guerra ou os mares (versículo 25)”. Os versículos 25-26 apresentam os sinais antes da parúsia. Assim como o povo do tempo de Jesus eram sensíveis aos sinais cósmicos, assim também deve ser a sensibilidade dos cristãos na espera do Senhor, ou seja, é necessário ficar de prontidão.

No versículo 27, Jesus faz clara alusão ao profeta Daniel 7,13-14, em que “alguém parecido com filho de homem” recebe de Deus o reino. No evangelho a figura humana é um indivíduo, o Messias, Jesus, em sua humanidade; Ele recebe de Deus o poder quando ascende ao céu, e agora desce para libertar os seus. O versículo 28 quer transmitir uma mensagem de confiança: os cristãos, ao contrário do mundo, não precisam temer estes sinais cósmicos, pois eles apenas indicam que a “redenção” está próxima. “Está próximo a vossa libertação”: faz irromper uma mensagem de esperança para os discípulos. Os discípulos fiéis permanecerão de cabeça erguida para saudar seu juiz fiel, Jesus, o Filho do Homem.

Os versículos 34-36 se referem especificamente a parusia. “Embora preceda a preparação do cenário cósmico, pode-se dizer que ‘aquele dia’ chegará de repente”. Diante dessa realidade, a vigilância e a oração prepara o cristão para este dia. O ser humano facilmente pode adormecer, por isso a necessidade da vigilância. Já a oração deve ser sempre uma oração de confiança e amor. “A oração é a presença de Deus percebida pela fé e transferida à existência cotidiana”. A maneira pela qual o cristão prepara-se para o dia da vinda do Senhor, não é perguntando datas, mas vigiando constantemente. “A vigilância cristã é a faculdade de ler em profundidade os acontecimentos diários”. Por fim, “a vigilância de cada instante é a face da fé que adquire consciência” de quem somos diante da espera e para onde estamos caminhando enquanto esperamos.

 Seminarista Oscar S. Santos