Missa parte por parte

Missa parte por parte

Sab, 21 Ago 21 Formazione liturgica Liturgia

A Santa Missa passo a passo

 1.     Ritos de entrada

A assembleia dos fiéis, já convocada com antecedência, encontra-se na igreja e a celebração eucarística começa   com a procissão de entrada. Vai da porta ao altar: a porta é Cristo, o altar é Cristo: vai-se de Cristo para Cristo. Vai-se impulsionado por Ele e com a tensão celebrativa que é aquela de ir e fazer Eucaristia; isto é, dar graças ao Senhor participando plenamente, ativamente, nos mistérios divinos.

A assembleia junto ao celebrante e aos vários ministros com o hino de entrada, que tem a função de preparação para a celebração e - convenientemente preparado - deve estar em sintonia com a Liturgia da Palavra e ao seu tema (a antífona de entrada pode ajudar).

Os ritos de entrada incluem a saudação do celebrante, o ato penitencial, o Kyrie eleison, o Glória e a Oração de Coleta. O sacerdote primeiro sauda Cristo beijando o altar; depois, e então com o sinal da cruz,  inicia a celebração em memória de Deus Trindade e do Batismo pelo qual fomos incorporados em Cristo e na Igreja que é o seu Corpo.

O ato penitencial é o pedido de perdão da comunidade a Deus, a fim de estar na disposição do  coração para aceder aos mistérios divinos. Deriva de fórmulas de oração medievais (que datam do século IX) chamadas apologie, nas quais o padre confessava a sua culpa de uma forma privada. Segue-se a aclamação do Kyrie eleison (Senhor tem piedade) e antigo hino do Glória in excelsis Deo que está presente na liturgia desde o século IV-V: um hino de glorificação e louvor.

Uma breve reflexão merece o canto do Glória, que pertence ao gênero dos antigos hinos cristãos, que embora não retirados da Bíblia, sendo fruto de uma composição privada, dela se inspiram.

"Esta fórmula constitui um rito por direito próprio". O Glória "é cantado por toda a assembleia, ou pelo povo alternadamente com o coro, ou somente pelo coro. Se não for cantado, é recitado por todos, juntos ou alternadamente".

A presença do "Glória" dá uma cor especial às celebrações Eucarísticas aos domingos (fora do tempo do Advento e da Quaresma), solenidades e festas, e outras celebrações mais solenes.

Os ritos de entrada concluem com a oração da Coleta, também chamada Oratio na liturgia romana; é a oração com que o sacerdote recolhe (de colligere = recolher) as intenções pessoais dos fiéis durante a pausa em silêncio e em nome da assembleia apresenta-as a Deus Pai; além disso, o conteúdo da Coleta oferece um resumo do conteúdo da liturgia do dia da Palavra.

Com o Ámen dito pelos fiéis no final da Coleta, os Ritos Introdutórios da celebração eucarística chegam ao fim. Este "Ámen" coloca o selo naquela intensa participação, mesmo exterior, da assembleia, que caracteriza a parte introdutória da celebração.

Uma vez terminados os ritos de introdução, a celebração eucarística pode ter lugar segundo o seu próprio ritmo: começa a primeira parte importante da Missa: a liturgia da Palavra.

 2.     Liturgia da Palavra

A Liturgia da Palavra é a parte da Missa que é celebrada com o seu próprio livro, chamado Lecionário. Existe um Lecionário ferial usado durante a semana, que é utilizado no espaço de dois anos (ímpares e pares), e existe um Lecionário festivo, que é distribuído no espaço de três anos, chamado A B C.

A Liturgia da Palavra consiste em duas leituras (três aos domingos e solenidades) e o Salmo Responsorial.

A primeira leitura é retirada do Antigo Testamento (exceto durante a Páscoa, quando os Atos dos Apóstolos são lidos). É geralmente escolhida em relação ao Evangelho do dia; há sempre uma ligação sutil entre a primeira leitura e o Evangelho.

Existe uma verdadeira continuidade entre os dois Testamentos, e ambos contêm a Revelação divina. A segunda leitura é retirada de uma carta dos Apóstolos: normalmente estas passagens são bastante curtas, mas cheias de significado.

O diálogo entre Deus e os fiéis na celebração da Palavra realiza-se através do Salmo Responsorial (também conhecido como o Salmo Gradual, porque antigamente era cantado pelo salmista nos  degraus do ambão). É cantado após um momento de silêncio que permite aos fiéis refletir brevemente sobre o que acabaram de ouvir.

O canto ao Evangelho é uma breve aclamação, orientada para celebrar Cristo que está prestes a vir e anunciar-nos o seu Evangelho. É Ele próprio que vem, porque "Ele está presente na Sua Palavra, e é Ele que fala quando lemos as Escrituras e, em particular, o Evangelho". Finalmente, o Evangelho é proclamado (ou cantado).

É dada uma honra especial a esta leitura. É a única leitura a ser precedida por uma Procissão, Aclamação e Bênção. É também precedida por uma chamada de atenção: "O Senhor esteja convosco". Além disso, o celebrante e os fiéis fazem um triplo sinal da cruz: na testa, nos lábios, no coração, como compromisso de se deixarem envolver em pensamentos, palavras e sentimentos pela Palavra que está prestes a ser proclamada. A atenção especial ao Evangelho é uma expressão do maior respeito por Cristo, em quem todas as Escrituras são cumpridas e em quem toda a Verdade e Luz brilham. "A leitura do Evangelho é o culminar da própria Liturgia da Palavra; a assembleia está preparada para ouvir o Evangelho pelas outras leituras, proclamadas na sua ordem tradicional, primeiro as do Antigo Testamento e depois as do Novo" (ORDO LECTIONUM MISSAE, n. 13). Cristo está "presente na Sua Palavra: é Ele que fala quando a Sagrada Escritura é lida na Igreja" (Sacrosanctum Concilium, n. 7).

Ser um leitor é uma tarefa exigente: trata-se de emprestar a própria voz ao Senhor. Por esta razão, não se improvisa como leitor, nem se chega despreparado! É, portanto, necessário que o leitor saiba antecipadamente quando e que leitura lhe é atribuída, que compreenda o gênero literário e que a medite sobre sozinho ou em grupo. O costume de designar alguém imediatamente antes da celebração não é apropriado. É importante ler primeiro o texto e internalizá-lo a fim de o poder ler de uma forma  compreensível e apropriada.

Profissão de fé

Após a homilia, o presidente da celebração convida-nos a rezar juntos o Símbolo, ou Profissão de Fé, ou seja, o Credo. Desta forma, a assembleia manifesta o seu consentimento de fé a Deus Pai Criador, a Jesus Seu Filho e ao Espírito Santo, e está unida pessoal e comunitariamente com a fé de todas as outras Igrejas cristãs de todo o mundo.

O Símbolo Niceno-Constantinopolitano (acredito num só Deus...) é a expressão de uma exigência teológica e de um desejo de precisão na expressão da fé, que é a herança da história da Igreja. O Missal Romano também permite o uso do chamado "Símbolo dos Apóstolos" (Creio em Deus...), que tem uma formulação mais curta; além disso, a Tripla Profissão de Fé é usada na Vigília Pascal e no Ritual do Batismo, renovando as Promessas Batismais.

Oração universal

 "Na Oração Universal, ou Oração dos Fiéis, o povo, exercendo a sua função sacerdotal, reza por todos os homens".

Antes de mais, devemos lembrar que a comunidade reunida não reza principalmente por si própria! Pelo contrário, a Oração Universal tem precisamente a função de fazer sair de si cada comunidade concreta, tendo em mente toda a Igreja: o Papa, os bispos, os governantes, a salvação de todo o mundo, os que estão em dificuldades; finalmente, apresenta as intenções próprias da Assembleia.

Tendo sido nutridos na Mesa da Palavra, podemos entrar com uma mente mais pronta e vigilante na Mesa do Corpo do Senhor.

 3.     Liturgia Eucarística

Na Liturgia da Eucaristia o sacerdote cumpre o que o próprio Senhor fez antes da sua paixão. A instituição da Eucaristia ocorreu, historicamente, durante a Última Ceia, a última refeição que Jesus teve com os Apóstolos antes de ser preso. A Última Ceia é anunciada nos Evangelhos Sinóticos (Evangelho segundo Marcos, 14, 16; Evangelho segundo Mateus, 26, 19; Evangelho segundo Lucas, 22, 13.15) como celebração da Páscoa. Jesus repete dois gestos típicos do banquete judeu: o partir do pão e a distribuição da taça de vinho, a abertura e a conclusão dos ritos de cada banquete judeu solene. Jesus, contudo, não se limita às fórmulas habituais de bênção; ele dá ao pão oferecido uma relação com o seu corpo imolado na morte e ao vinho uma relação com o seu sangue derramado, tornando assim presente a Nova Aliança de Deus com a humanidade.

Preparação dos dons

Pão e vinho com água são trazidos ao altar, os mesmos elementos que Cristo tomou em suas mãos. A procissão do ofertório deve ser inspirada pela sobriedade, limitando-se aos sinais da Eucaristia (pão  e vinho) e algumas ofertas para os pobres.

A Igreja costuma sempre misturar um pouco de água com o vinho necessário para a Eucaristia, provavelmente porque Jesus na Última Ceia consagrou vinho misturado com água, seguindo um costume de origem mediterrânia, e, portanto, também conhecido pelos judeus.

Conforme a oportunidade, o pão e o vinho podem ser incensados. A incensação pode ser estendida ao altar (e  à cruz do altar), ao sacerdote e a toda a assembleia.

Oração Eucarística

São dados graças a Deus por toda a obra de salvação e as ofertas tornam-se o Corpo e Sangue de Cristo, no qual a própria Igreja se oferece a si mesma.

O Cânone é o conjunto de textos entre o Prefácio e a Oração do Senhor. É uma oração presidencial, de fato a mais importante das orações presidenciais.

O Prefácio (do latim prae = em frente e fari = digo: digo em frente, na presença de) não é uma oração que vem antes da oração eucarística, como se fosse uma espécie de introdução ou prólogo (como as pessoas começaram a acreditar do século VIII ao XX!), mas sim o anúncio solene, em frente do povo reunido, da ação da graça, a única coisa "verdadeiramente boa e justa" que um cristão pode fazer. A Oração Eucarística, conhecida na tradição oriental como a Anáfora ("oferenda"), é realmente o "coração" e o "cume" da celebração da Santa Missa, como o Catecismo da Igreja Católica explica no Nº. 1352

  • No Prefácio, a Igreja dá graças ao Pai, através de Cristo, no Espírito Santo, por todas as suas obras, pela criação, redenção e santificação. Desta forma, toda a comunidade se junta ao louvor incessante que a Igreja celestial, os anjos e todos os santos cantam ao Deus trinitário.
  • Em Epiclesis (do grego epíklēsis: invocação, derivado de epikalêin: chamar, invocar) a Igreja "reza ao Pai para enviar o seu Espírito Santo sobre o pão e o vinho, para que se tornem, pelo seu poder, o Corpo e o Sangue de Jesus Cristo, e para que aqueles que participam na Eucaristia sejam um só corpo e um só espírito".
  • No coração da Oração Eucarística, ou seja, na narrativa da instituição, "a eficácia das palavras e ações de Cristo e o poder do Espírito Santo tornam o seu Corpo e Sangue sacramentalmente presentes sob as espécies de pão e vinho, o seu sacrifício oferecido na cruz de uma vez por todas".
  • A narrativa institucional é seguida pela anamnese (do grego anámnēsis = lembrança) na qual "a Igreja recorda a Paixão, Ressurreição e glorioso Regresso de Jesus Cristo; ela apresenta ao Pai a oferta do seu Filho que nos reconcilia com ele".
  • Nas intercessões é "manifestado que a Eucaristia é celebrada em comunhão com toda a Igreja no céu e na terra, dos vivos e dos mortos, e em comunhão com os pastores da Igreja: o Papa, o bispo da diocese, o seu presbitério e os seus diáconos, todos os bispos do mundo com as suas Igrejas".

 Através do partir do único pão, a unidade dos fiéis manifesta-se: a união eclesial é a união daqueles que comem o corpo e o sangue do Senhor, da mesma forma que os Apóstolos os receberam das mãos do próprio Cristo".

Louvor final (doxologia)

 A glorificação do Pai através de Cristo no Espírito corresponde aqui a toda a obra de salvação, dada por Deus à Humanidade. O movimento descendente dos dons regressa a Deus no movimento ascendente de louvor. A assembleia responde com a aclamação do Ámen (grande Ámen); através dela expressa a sua participação ativa na Oração Eucarística.

 4.     Ritos de comunhão

 Pai nosso

Começa os ritos de comunhão. Nele, mais uma vez, pede-se o perdão do Senhor para que com um coração purificado se possa aproximar da sua mesa. É a oração comunitária dos discípulos de Jesus, dirigida ao Pai para pedir a vinda do seu reino.  Enquanto filhos, podemos recorrer a Deus e chamar-lhe Pai!

Embolismo (do grego embolismo= intercalares) é uma pequena oração que na liturgia cristã é dita ou cantada depois do Pai Nosso. Retoma a última petição do Pai-Nosso (... livra-nos do mal) amplificando-a e articulando-a nas suas várias implicações.

Aclamação da Doxologia "Teu é o Reino..."

 É uma aclamação já presente na Didaché, um texto que data do século I d.C., e expressa a forte convicção de todos que Deus é o Senhor do Universo.

Rito da Paz

A paz que trocamos uns com os outros é a paz que o Senhor nos dá: "Deixo-vos a paz, dou-vos a minha paz".

Cordeiro de Deus

 O padre parte o pão que agora se tornou o corpo de Jesus, do Jesus ressuscitado que tira os pecados do mundo. A imagem do cordeiro sacrificial está fortemente relacionada com o Antigo Testamento; aqui a referência é ao livro de Isaías, que fala do servo sofredor, que como um cordeiro se deixa levar ao abate (Is 53,7).

Sempre que participamos na Santa Missa e nos alimentamos com o Corpo de Cristo, a presença de Jesus e do Espírito Santo em nós atua, molda os nossos corações, comunica-nos atitudes interiores que se traduzem em comportamentos de acordo com o Evangelho. Primeiro de tudo, docilidade à Palavra de Deus, depois fraternidade entre nós, a coragem do testemunho cristão, a imaginação da caridade, a capacidade de dar esperança aos desanimados, de acolher os excluídos. Deste modo, a Eucaristia amadurece um estilo de vida cristão (Papa Francisco).

Silêncio após a comunhão

"Estamos cada vez mais claramente conscientes de que a liturgia também implica silêncio. Respondemos a Deus cantando e orando, mas o maior mistério, que vai para além de todas  as palavras, também nos chama ao silêncio. Deve ser sem dúvida um silêncio total, e não uma ausência de palavras e de ação. Esperamos que a liturgia nos dê o silêncio positivo em que nos encontramos" (Joseph Ratzinger, Introduction to the Spirit of the Liturgy).

5.     Ritos de conclusão

Neste momento, os anúncios de interesse para a comunidade podem ser dados. Segue-se a bênção do padre (que em certos dias e circunstâncias pode ser enriquecida e desenvolvida com a oração sobre o povo ou com outra fórmula mais solene) e o adeus.

A despedida do povo é feita pelo diácono ou pelo sacerdote, para que todos possam voltar às suas  boas obras louvando e abençoando a Deus.

Façamos nossas as belas palavras de São João Crisóstomo, que escreve:

"A liturgia divina é uma viagem. Uma viagem cujo objetivo, cujo fim, é o encontro com Deus, a união do homem com Ele. Este objetivo já foi alcançado. Chegámos ao fim da nossa viagem. Temos visto a verdadeira luz. Vimos o Senhor transfigurado no Tabor. Aproximámo-nos do Seu corpo sagrado e do Seu sangue imaculado. E enquanto ousamos gaguejar ao nosso distinto visitante: "É bom para nós estarmos aqui". (Mt 17,4), a Igreja Mãe lembra-nos que o fim da nossa viagem litúrgica deve tornar-se o início da nossa viagem de testemunho: prossigamos em paz! Temos de deixar a montanha da transfiguração para regressar ao mundo e percorrer o caminho do martírio das nossas vidas. Depois de nos aproximarmos da Eucaristia devemos sair para o mundo como Cristóforos: portadores de Cristo e pneumatóforos: portadores do Espírito".