O tempo do Advento

O tempo do Advento

Dom., 31 Out. 21 Formação litúrgica Liturgia

O tempo do Advento

As origens históricas da época do Advento remontam ao século IV na Gália e em Espanha. Nestes países, os fiéis foram convidados a assistir à assembleia durante as três semanas que precederam a festa da Epifania, com início a 17 de dezembro. Este período litúrgico teve inicialmente um carácter quase penitencial; os cristãos foram convidados a ter uma atitude sóbria, evitando qualquer tipo de dispersão. Parece ser um período de preparação para o batismo, que foi conferido de acordo com o costume oriental na festa da Epifania, que também comemorou o batismo de Jesus. Em França, um texto de Hilary of Poitiers (d. 367) fala de três semanas de penitência com práticas ascéticas e penitenciais como reação às festas pagãs no final de dezembro. No século V houve mesmo um tempo específico de preparação para o Natal, precedido de seis semanas. São Máximo de Turim escreveu num dos seus sermões: "Em preparação para o Natal do Senhor, purifiquemos a nossa consciência de cada mancha; enchamos os seus tesouros com a abundância de vários presentes...". Em Roma, a época do Advento é conhecida desde o século VI e com seis semanas, como ainda está no rito ambrosiano, passa, com São Gregório Magno, a quatro e adquire um carácter nitidamente escatológico.

Para além destas breves notas históricas, o Advento é sem dúvida o tempo litúrgico da alegre expectativa de Cristo, uma expectativa que envolve a comunidade de crentes ativos e vigilantes, prontos a dar conta da esperança. Por esta razão, somos instados a colocar-nos na escola do Senhor, o professor das nossas vidas, que continuamente nos exorta a despertar uma fé por vezes entorpecida pelas preocupações deste mundo ou por uma certa indiferença que nos pode surpreender... O itinerário litúrgico que estamos prestes a seguir (ciclo C) leva-nos a centrar a nossa atenção na figura de Jesus como Aquele que é eternamente esperado das nações. Somos guiados e acompanhados nesta viagem por Maria, sua mãe, e João Batista, que o precedeu, anunciando-o e apontando-o para o mundo.

No primeiro período desde o primeiro domingo do Advento até 17 de dezembro, o lecionário do dia da semana lê passagens do profeta Isaías e propõe pericópios que confirmam o cumprimento das Escrituras na vinda messiânica de Jesus. Nesta primeira parte prevalece a dimensão escatológica, de 17 a 24 de dezembro prevalece a expectativa memorial da encarnação de Cristo; são lidos os oráculos proféticos relativos ao nascimento do Messias e passagens evangélicas de Mateus e Lucas relativas a acontecimentos anteriores ao nascimento de Jesus. Na Missa, como um hino ao Evangelho e durante as Vésperas como uma antífona ao Magnificat, cantam-se as belas antífonas principais, que começam com aquele grito de maravilha "Ó" e um título messiânico.

É de salientar que a liturgia nos faz contemplar as vindas de Cristo numa relação íntima entre si; todos os textos falam de duas vindas. Como dissemos na primeira parte do Advento, a oração da Igreja está fortemente impregnada de um sentido escatológico. O Senhor que vem é o tema mais importante... Maranhathà cantamos com insistência. O verbo vir recorda a intervenção de Deus na história em Cristo Jesus que é enviado como um dom para o mundo, para o renovar e para nos fazer suas criaturas. A Igreja sai ao encontro do seu Senhor perseverando na bondade, na santidade da vida, no louvor e na exultação e na alegria que se realizará no fim dos tempos. Todos estes são temas característicos desta época litúrgica! À medida que nos aproximamos do Natal, o foco está na Encarnação, e Maria desempenha obviamente um papel importante, começando já a 8 de dezembro com a Solenidade da Imaculada Conceição. Maria é o modelo de existência humana plenamente realizada; ela colocou-se à disposição do convite de Deus, ela disse Sim ao amor. O papel da Virgem é decisivo, é por isso que ela é verdadeiramente a Mulher de Expectativa, e somos chamados a aprender com ela a esperar por Aquele que já veio e que virá, com aqueles gestos, sinais e sentimentos que devem caracterizar a vida de cada cristão.