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Advento- a espera de Deus.

Advento- a espera de Deus.

Qua., 27 Nov. 24 Formação

“Agora vem ao nosso encontro em todos os homens e em todos os tempos, para que o acolhamos na fé e testemunhemos no amor a bem-aventurada esperança do seu Reino”. (do Prefácio do 2º Advento). O tempo do Advento é dado para despertar em nós a consciência de que o Senhor se move para além do tempo e do espaço, precede todos os nossos passos; desce até ao abismo mais profundo, atravessa estradas pisadas por homens e mulheres, pisoteia caminhos, navega desertos e mares, atravessa fronteiras, montanhas e grãos de poeira. Deus visita-nos nos fragmentos do que vive nas nossas realidades!

Por todo o lado o Infinito de Deus mistura-se com o nosso finito, o divino mistura-se com o humano, o Inacessível torna-se próximo, o Invisível deixa-se tocar, ouvir, comer. Poderíamos continuar nesta ladainha de paradoxos, mas as palavras rendem-se perante o Silêncio que se insinua no inexprimível. Há uma teologia do coração que nos faz perceber e compreender o Mistério da fé: Deus vem ao encontro de cada homem! E nós encontramo-lo na medida em que, ainda que com um estremecimento, um bater do coração, um aceno de assentimento, uma ternura súbita, o deixamos entrar na nossa vida.
A espera é a de Deus que implora um olhar, que recolhe o tormento e a paixão.
A espera é de Deus que antecipa toda a esperança, assim como o seu amor nos alcança sempre primeiro (Bento XVI).

A espera é a de Deus que se faz pequeno, aniquilando-se até se tornar incompreensível nos nossos porquês.

Sim, o Todo-Poderoso, bendito seja, colocou-se no “advento” de cada um, colocou-se no limiar, procurando-nos com a discrição de quem bate sem forçar... de quem espera desde a clara aurora até à noite das insondáveis solidões. Há uma velha canção que se ouve sempre com prazer: E ti vengo a cercare, de F. Battiato... Ouvindo-a, penso que podemos recompreender que somos buscadores da eternidade porque fomos buscados primeiro; a ânsia do homem por Deus é uma inquietação que busca as suas raízes primordiais.

Com a canção Maranathà! Vem, Senhor Jesus! redescobrimos o anseio por novos céus, novas terras, novos equilíbrios pessoais e globais... Maranathà torna-se o apelo da Igreja, de cada comunidade ou família ou indivíduo!