Epifania do Senhor

Epifania do Senhor

Qui., 30 Dez. 21 Lectio Divina - Ano C

AS ORIENTAÇÕES DIVINAS

Primeira leitura: As ordens de Deus a Jerusalém, não se dirigem a uma cidade, mas aos povos: “Levanta, acende as luzes, chegou a tua Luz”. Aqui, trevas e nuvens escuras dão lugar ao Senhor e a manifestação de sua Glória, onde povos e reis caminham iluminados. Levanta os olhos e vejam, os filhos voltam, as filhas são carregadas ao colo, o coração vibra, trazem riquezas e proclamam à glória do Senhor, promessas que se cumprem em Jesus, a Luz que brilhou nas trevas e ilumina todo ser humano.

Segunda Leitura: A Igreja, na visão do Apóstolo, é a continuadora e realizadora do Plano salvífico de Deus, não por mérito, mas por graça, e a quem por conhecimento do mistério, a salvação de Deus é manifestada na Luz que é Cristo.

A grande novidade, segundo Paulo, é Deus que revela pelo Espírito, aos apóstolos e profetas, que os pagãos são admitidos como herdeiros da salvação em Cristo e como membros do Corpo de Cristo que é a Igreja, e que as promessas de Deus são realizadas como salvação e não privilégio, para todos os que reconhecem Jesus como Luz do mundo, pela graça do evangelho. O que nos desafia a mudar de mentalidade e de comportamento pessoal, familiar, religioso, pastoral e social.

No Evangelho:  Belém, Judeia e Herodes confirmam que a salvação de Deus acontece no tempo, na história, em determinado lugar e por ações humanas. Os magos, de outras nações, culturas e religiões, veem ao encontro do Messias, o Rei dos Judeus, procurando onde nasceu o menino, buscando encontrar, reconhecer e adorar à sua Majestade e Divindade, nos ensinando, assim como eles, a nos envolver e iluminar pelo cumprimento da promessa da vinda do Messias.

Herodes, o povo e Jerusalém ficam perturbados, porém, não foram capazes de levantar, de ir ao encontro, de buscar, mas presos ao legalismo das suas leis e religião, bem como ao comodismo que marca as suas vidas e atitudes, juntam sacerdotes, mestres da religião e da lei, para os informar, sobre o nascimento do Messias.

Não rompem com as acomodações, por isso, enviam os magos para trazer-lhes informações. Às vezes, também nós, como eles, repetimos às mesmas atitudes.  Neste sentido, a celebração da Epifania do Senhor pede de nós, comportamentos e atitudes diferentes. Pois não se deve adorar por informações trazidas por outros, mas buscadas e encontradas por nós mesmos, pois, como diz o documento de Aparecida, encontrar Jesus é a nossa alegria.

A pequena e insignificante Belém, que por Davi e o Messias sai do anonimato, se torna referência de governo e de alimento e ganha importância salvífica, sinal do Reino de Deus em Jesus Cristo Luz do mundo.

Neste sentido, a Igreja, mais que agregação de pessoas, deve ser, como a estrela de Belém, condutora das pessoas ao alegre encontro com Jesus, o salvador de todos. Aqui, o menino mostra a simplicidade de Deus e do seu plano de amor e salvação, se fazendo pessoa, criança, com todas as dependências humanas, nos levando a compreender o seu projeto de amor.

A mãe do menino aparece como colaboradora de Deus, portadora de todos os cuidados necessários ao bem e ao crescimento do Filho de Deus, mostrados na ternura, a qual, não deve faltar a ninguém. Hoje, assumida, como responsabilidade e missão da Igreja.

O reconhecer da divindade, da eternidade e do governo de Deus no Messias, pelos magos e não pela comunidade eleita, mais que continuar o reinado de Davi, é atualizar o governo de Deus: incluir, cuidar, salvar, fazer feliz o que deve ser expressado em todas as realidades religiosas, culturais e governamentais, a continuidade do querer de Deus, a felicidade de todos.

O outro caminho nos faz entender que ir ao encontro, reconhecer, adorar, presentear, ser grato, o que não fez Herodes, e muitas vezes também nós, por acomodação não fazemos, devem ser atitudes presentes e frequentes nas vidas e atividades de quem atualiza pela celebração dos mistérios, na vida e na história a salvação de Deus em Cristo.

REZANDO COM A VIDA

Sendo assim, faz parte da vida e missão da Igreja, rezar as nossas acomodações, os nossos preconceitos, discriminações, violências, manias de grandezas.

Os modos e modelos de governo, da nossa vida, dos nossos sentimentos, das nossas famílias.

O uso dos bens, a relação com a natureza, com as comunidades, as cidades, o Estado.

Também devemos rezar as nossas inutilidades, arrogâncias e prepotências.

Pois, no projeto de Deus apresentado por Jesus, os que se acham melhores na experiência religiosa, podem aparecer sem nenhuma utilidade e como diz Santa Teresa de Calcutá, “a boca que reza, tem a mesma importância que as mãos que cuidam”.

Padre Evandro